LACUNA COIL: 07/03/2017 – BAR DA MONTANHA – LIMEIRA/SP – RESENHA POR FERNANDO R.R. JÚNIOR – ROCK ON STAGE

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Desde que ouvi pela primeira vez o som dos italianos do Lacuna Coil fiquei curioso em assistir à uma apresentação ao vivo da banda e nas outras quatro passagens anteriores pelo Brasil, não tive a possibilidade de acompanhar. Entretanto, para esta nova turnê pela América do Sul com datas em apenas quatro cidades brasileiras, sendo três capitais ( Belo Horizonte/MG, Rio de Janeiro/RJ e São Paulo/SP ) e a cidade do interior de São Paulo, Limeira, finalmente pude conferir toda a energia no palco da bela Cristina Scabbia e do fera Andrea Ferro nos vocais, do divertido Marco Coti Zelati no baixo e do técnico Ryan Folden ( The Agony Scene, Queime Halo e After Midnight Project ) na bateria, que nos shows são acompanhados pelo competente músico Diego Cavallotti na guitarra na turnê de promoção do excelente álbum Delirium, que foi lançado em 2016.

Formado em Milão em 1994, o Lacuna Coil é considerado por muitos como uma das melhores bandas de Gothic Metal e Metal Alternativo e dependendo do ponto de vista, parecem que são uma banda relativamente nova, entretanto, eles contam com mais de 20 anos de estrada, já lançaram neste tempo oito álbuns de estúdio, dois Ep´s, um ao vivo e vários singles, além de muitas apresentações pelo mundo todo, sendo esta a quinta turnê brasileira e a primeira vez em solo limeirense no Bar da Montanha.

Do sanatório para o palco

Antes do horário do show, aconteceu um Meet & Greet para alguns felizes sorteados, que conheceram o Lacuna Coil, tiraram fotos com eles e neste meio tempo, após minha chegada no Bar da Montanha fui olhar o palco, o espaço em si e conversar com os amigos que estavam por lá, afinal, um show de Heavy Metal é também uma oportunidade para encontrar amigos e amigas que nem sempre encontramos. Pois bem, quando o relógio marcava 21 horas ( horário previsto para o início do show ), as luzes do Bar da Montanha foram apagadas e o grande público ( muitos inclusive com pinturas nos rostos inspiradas nesta turnê da banda ), que tomaram conta da casa estavam deveras ansiosos para o começo do show.

Eis, que após alguns poucos, mas longos minutos, recebemos a introdução em um ritmo forte, pesado e sinistro junto a canção Ultima Ratio, que trouxe o quinteto para o palco chamando atenção, pois, todos estavam de branco com vestimentas como se fossem camisas de forças ( inclusive a inscrição Lacuna Coil Sanitarium com um elefante desenhado aumentava mais esta ideia ), maquiados, relativamente ‘ensaguentados’, enfim, subiram no palco passando a impressão que escaparam do manicômio – dentro da caracterização do conceito do álbum Delirium – direto para o palco do Bar da Montanha.

A recepção do público presente foi a melhor possível, pois, todos cantaram com o Lacuna Coil esta música registrada no novo Delirium e eles não deixaram por menos entregando uma versão excelente, que Andrea Ferro cantou com raiva e dividiu com Cristina Scabbia as atenções, principalmente, quando esta entregou sua voz encantadora agitando bastante enquanto os toques de baixo, guitarra e bateria eclodiram em uma bela mescla de trechos calmos com pesados.

A segunda de set, a Spellbound, a única do Shallow Life de 2009 ( confira resenha ) foi denunciada por seus riffs de guitarra e também por seu andamento mais rápido, que contou com uma interpretação de muito sentimento por parte de Cristina Scabbia e Andrea Ferro, que interagiam entre si cantando suas partes e levando a plateia à um enorme contentamento, sendo que logo no princípio contou com vários “hey…hey…hey…” dos fãs.

Do penúltimo álbum de estúdio lançado em 2014, o Broken Crawn Halo, os italianos executaram a Die & Rise, onde os vocais mais nervosos de Andrea Ferro se destacaram até contrastarem com os suaves de Cristina Scabbia ( que canta em italiano alguns versos ) em um clima tenso e que garantiu muita satisfação dos ‘coilers’ ( Nome dado aos fãs do Lacuna Coil ).

Desempenhando formidavelmente o papel de frontwoman, Cristina Scabbia faz a galera pular com Kill The Light ( do Dark Adrenaline de 2012 – leia resenha ) ante ao ritmo contagiante exibido pelos demais, sendo que o Diego Cavallotti alternava vários momentos de ‘headbanging’ com seus solos de guitarra. Antes da próxima, eles nos saúdam e são ovacionados pela galera para então apresentarem do Delirium, a Blood, Tears, Dust, que também mostrou o sincronismo que o Lacuna Coil possui no palco, especialmente a dupla de vocalistas, que sempre estão dividindo os versos das músicas.

Após os toques pesados no baixo de Marco Coti Zelati, que introduzem a introspectiva Victims ( do Broken Crawn Halo ) recebemos todo o ‘feeling’ de Cristina Scabbia interpretando seus versos junto a Andrea Ferro e durante essa música, além de cantá-la de forma impactante, a vocalista recebeu um anel de um fã e se mostrou emocionada com o presente. Muito aplaudidos, eles sorriem e anunciam que a próxima é a agressiva Ghost In The Mist do novo álbum Delirium, com direito a Andrea Ferro praticamente soltar alguns guturais ante a voz calma de Cristina Scabbia, onde pudemos perceber também as pesadas notas do baixista Marco Coti Zelati ( com uma inscrição na sua cabeça “Limeira primeira vez” em clara referência ao primeiro show na cidade ), que foram ligadas ao competente trabalho do baterista Ryan Folden.

Em seguida, com toda a sua simpatia única, Cristina Scabbia avisa a próxima música simboliza os bons tempos e segundo ela, My Demons outra das novas canções presentes no Delirium foi inclusa no set list desta tour sul americana por conta dos pedidos dos fãs em redes sociais da banda. E então, My Demons tocada com todo o seu peso levando aos fãs a ‘banguearem’ consideravelmente em sua execução e obviamente, se emocionaram ao observarem todo o carisma enviado pelos vocais da bela cantora. Trip The Darkness gravada no Dark Adrenaline mostrou que o Lacuna Coil estava com a plateia nas mãos e que a empolgação de cada um era enorme, que foi traduzida na grande maioria cantado e aplaudindo com eles sempre que solicitados.

Rapidamente, Cristina Scabbia anuncia a Zombies do Broken Crown Halo após uma breve conversa com os fãs e assim, como em outros momentos, pela versão fortificada que nos mostraram, nos levaram a uma bela sessão de ‘headbanging’, afinal, o ritmo envolvente da composição destacou os vocais agressivos de Andrea Ferro ( que soltou até alguns guturais ) que fazem se tornar difícil ficar parado, ainda mais com a animação enviada pelos dois vocalistas no palco do Bar da Montanha. Antes de Senzafine, Cristina Scabbia se ‘desvencilha’ de sua camisa de força e canta exalando muita sensibilidade os versos desta canção do Unleashed Memories de 2001, cuja letra é toda em italiano.

Muito aguardada e que contou com uma participação deveras inflamada dos fãs, Swamped do Comalies de 2002 foi a seguinte do set list, onde seus vocais trouxeram ares fantasmagóricos ao show e uma eletricidade muito gostosa de se sentir. E isso foi mantido na Upside Down do Dark Adrenaline com seu misto de fúria e calma, onde mais uma vez os vocalistas se sobressaem, apesar da potência dos demais músicos. Muito bacana é que tanto Cristina Scabbia quanto Andrea Ferro sempre procuraram pegar nas mãos dos fãs durante o show mostrando uma interação, uma disposição e um enorme respeito por cada um.

Esta sequencia de músicas demonstravam que estávamos naquela parte do show onde a banda envia uma melhor que a outra e nos mantém plenamente ligados a cada movimento no palco, fato que prosseguiu com a recente e viajante Downfall, que é possuidora de um andamento emblemático que nos deixou enfeitiçados com o estilo suave que Cristina Scabbia cantou seus versos nos levando a uma reflexão positiva de nossa presença neste show, que contou com um excelente solo de Diego Cavallotti empunhando uma guitarra branca.

De linhagem mais arrastada e sombria, eles se direcionam ao novo trabalho com You Love Me ’Cause I Hate You, que trouxe ares depressivos ao Bar da Montanha interpretados com todo o entusiasmo de Cristina Scabbia e novamente tivemos os vocais enraivecidos de Andrea Ferro, que teve um curto solo de bateria de Ryan Folden entre os aplausos dos vibrantes fãs.

Relembrando do Karmacode de 2006 tivemos a esperada Our Truth, que colocou o público para pular freneticamente com os ‘loucos’ no palco, que também não pararam quietos e isso, sem contar que nós também cantamos seus versos com eles em um dos momentos mais comoventes do show. Outra que sempre está nos shows desta atual temporada do Lacuna Coil é o cover para Enjoy The Silence do Depeche Mode ( cá entre nós… ficou melhor com eles… ) sendo acompanhada por muitas palmas dos ‘coilers’, que ficaram ‘vidrados’ na interpretação de Cristina Scabbia e cantaram com ela, assim que foi pedido.

Para finalizar a primeira parte do show com a maestria que estávamos acompanhando até este momento, o Lacuna Coil enviou a Nothing Stands In Our Way do Broken Crown Halo, que acompanhamos ‘bangueando’, socando o ar e berrando vários “hey… hey…”, além de cantar com os dois e participar mais intensamente, assim que ela pediu para cantar um verso junto à banda ( como se precisasse ), afinal, o carisma e atitude no palco já criavam essa vontade. E para inflamar ainda mais Andrea Ferro fala que esta turnê é especial para o Lacuna Coil.

Final inesquecível e matador

Aos incessantes gritos de “Lacuna Coil… Lacuna Coil”, eles retornam para o bis, que teve três músicas, primeiro com a canção título do álbum, a Delirium, que também era muito aguardada e teve seus versos cantados com uma Cristina Scabbia exalando muita adrenalina e já com sua camisa de força recolocada. O sucesso Heaven’s A Lie do álbum Comalies, outra que não poderia faltar nesta noite em Limeira foi a segunda do bis sendo exibida com uma versão que foi literalmente de arrepiar e como um certo padrão notado nos ‘coilers’ do interior do estado, onde mais uma os versos foram cantados por todos, e obviamente com uma ênfase no seu refrão. Percebendo isso, a bela Cristina Scabbia pede para que fosse ainda mais fervorosa a participação de cada um dos presentes.

Para finalizar este show que deixou saudades tivemos a oitava do álbum Delirium ( que foi tocado quase em sua integra ) com a furiosa The House Of Shame, onde Andrea Ferro soltou a voz agressiva ( com direito a guturais ) em uma das músicas que eu mais queria curtir neste show por conta dos momentos cheios de ‘feeling’ que sentimos na voz de Cristina Scabbia em trechos viajantes, que são traduzidos em uma gratificante energia.

Foram uma hora e quarenta minutos de show de um espetáculo há muito aguardado não só por mim, mas por cada um dos presentes no Bar da Montanha, que certamente já estarão clamando por um retorno do Lacuna Coil na cidade em mais outra competente organização da Circle Of Infinity Produções.

Set List do Lacuna Coil:

1 – Intro/Ultima Ratio
2 – Spellbound
3 – Die & Rise
4 – Kill The Light
5 – Blood, Tears, Dust
6 – Victims
7 – Ghost In The Mist
8 – My Demons
9 – Trip The Darkness
10 – Zombies
11 – Senzafine
12 – Swamped
13 – Upsidedown
14 – Downfall
15 – You Love Me ’Cause I Hate You
16 – Our Truth
17 – Enjoy The Silence (Depeche Mode cover)
18 – Nothing Stands In Our Way
19 – Delirium
20 – Heaven’s A Lie
21 – The House Of Shame

Evento realizado por Circle Of Infinity Produções
Cobertura: Rock On Stage
Assessoria de imprensa: Infomidia Express
Data: Terça-feira – 07 de março de 2017
Local: Bar da Montanha – Limeira – SP

Galeria de fotos:
Link: http://www.infomidiaexpress.com/lacuna-coil-07032017-bar-da-montanha-limeirasp/

Fotos e texto por:
Fernando R.R. Júnior
Rock On Stage

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